Guardanapos
Guardanapos napos à esquerda quando se começa
guardanapos napos desdobrados em cima das coxas
guardanapos napos discretos no quente do colo
guardanapos napos onde caem migalhas e pingos de sopa
guardanapos napos pontuação do passar pelos lábios
guardanapos napos hirtos ou fleumáticos
guardanapos napos franjas em mãos nervosas
guardanapos!
guardanapos! que estranha palavra portuguesa!
SALETTE TAVARES
de Antologia da Poesia Experimental Portuguesa, Ed. Angelus Novus
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Maria Almira Soares
Autor
pepQ,
Salette Tavares
Cantiga, partindo-se
Senhora, partem tam tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos,
Tam doentes da partida,
Tam cansados, tam chorosos,
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes
Tam fora d’esperar bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns por ninguém.
JOÃO ROIZ DE CASTELO BRANCO
de Os dias do amor, Ed. Ministério dos livros
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Marreiros
Autor
João Roiz de Castelo Branco,
pepQ
Antigazetilha
No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada,
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada –
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...
No comboio descendente
Vinham todos à janela,
Uns calados para os outros
E os outros a dar-lhes trela –
No comboio descendente
Da Cruz Quebrada a Palmela...
No comboio descendente
Mas que grande reinação:
Uns dormindo, outros com sono,
E os outros nem sim nem não –
No comboio descendente
De Palmela a Portimão...
FERNANDO PESSOA
de Poesia do Eu, Ed. Assírio e Alvim
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Marreiros
Autor
Fernando Pessoa,
pepQ
pepQ? - Regras / FAQ
Poema escrito por quem?
O que é o “pepQ”?
Um jogo.
Semanalmente publicaremos aqui, em áudio, um poema.
Se nos sobrar tempo poderemos publicar mais do que um por semana :-)
Os poemas são todos de autores portugueses e foram escolhidos segundo critérios pessoais subjectivos.
Como se joga?
O objectivo é identificar os autores dos poemas que publicamos.
Para isso deverá dar a sua resposta aqui no blog, fazendo um comentário no respectivo poema/post.
Não serão aceites respostas via email ou via facebook.
Vencerá quem primeiro publicar a resposta certa.
Cada resposta certa vale 1 ponto*.
O vencedor final será quem somar mais pontos.
Se houver empate... há empate :-)
*se passar uma semana sem que ninguém desvende a autoria de um poema, este passará a valer 2 pontos na 2ª semana, 3 pontos na 3ª semana , etc, até um máximo de 5 pontos.
*se passar uma semana sem que ninguém desvende a autoria de um poema, este passará a valer 2 pontos na 2ª semana, 3 pontos na 3ª semana , etc, até um máximo de 5 pontos.
Quem pode participar?
Qualquer pessoa.
É possível concorrer individualmente ou por equipa.
As equipas deverão ter um nome e todos os jogadores deverão publicar as respostas usando esse mesmo nome.
Qual a duração do jogo?
O jogo tem início no princípio de janeiro e termina no final de dezembro de 2011.
Quando são publicados os poemas?
Semanalmente à segunda-feira, mas pode muito bem dar-se o caso de ser à terça ou extraordinariamente ao domingo ou mesmo...
A hora das publicações será sempre uma surpresa.
Faremos divulgação através da nossa newsletter e do facebook.
Onde e quando são divulgados os resultados?
Aqui e no facebook, sempre que alguém acertar... ou assim que o pudermos fazer :-)
Quais são os prémios?
Tínhamos previsto alguns milhares de euros em prémios, mas como não conseguimos travar a tempo a discussão entre os vários mecenas desta iniciativa, decidimos ser nós os únicos patrocinadores do evento. Assim, os prémios serão:
1º prémio – 3 CDs áudio; um com todos os poemas do concurso, outro com parte dos outros poemas do blog e um terceiro com a gravação áudio do nosso espectáculo “A de Mozart”.
2º prémio – 2 CDs áudio; um com todos os poemas do concurso e outro com parte dos outros poemas do blog.
3º prémio – 1 CD áudio com todos os poemas do concurso
Um pouco mais sobre o pepQ:
A promoção da leitura e a divulgação dos nossos autores sempre foram os nossos objectivos.
O concurso surge de uma conversa entre nós acerca de como reavivarmos este nosso audio.blog, caído um pouco no esquecimento no segundo semestre de 2010 por não termos tido tempo para lhe dedicar.
Quando pensávamos voltar à nossa regularidade de um texto por semana, surgiu-nos a ideia do concurso. A ideia, pelo menos nestes moldes, é original mas provavelmente não teria surgido se não tivéssemos tido conhecimento de um outro concurso com os mesmos objectivos de promoção da leitura, “Lost Pages Club”, que terminou a sua 1ª edição (esperemos que haja outras), no início de dezembro de 2010.
Assim, esta é uma proposta nossa para 2011. Não tem objectivos comerciais. É apenas um jogo com as palavras dos nossos poetas que visa divulgar a nossa poesia. Nenhum autor foi contactado previamente e se algum não desejar fazer parte do concurso, contacte-nos e verá o seu poema imediatamente removido.
Tentaremos cumprir a regularidade das publicações, quer dos poemas, quer das respostas.
Por vezes a produção e realização dos nossos espectáculos ocupa-nos de tal forma que não nos sobra tempo nenhum, por isso, se alguma semana falharmos, aceitem desde já as nossas desculpas.
Críticas e sugestões serão bem vindas.
Divirtam-se!
Cristina Paiva e Fernando Ladeira
Autor
pepQ
Caricaturas a carvão
Leitor: - esta secção, fruto de horas risonhas,
contém mil carantonhas,
que fariam sorrir talvez o rei de Tule.
São dois, três riscos só – mas naturais, vibrantes - ,
quais monos de estudantes,
borrados a carvão, à luz de um punch azul.
Neles encontrarás, com seus fatos singelos,
de chambre e de chinelos...
tipos piramidais desta época distintos.
Amigo! - se tu não és um bolónio, um pascácio,
um concelheiro Acácio,
matuta neles bem. - Adeus, saúde e pintos.
GOMES LEAL
Fim de um mundo, Sátiras Modernas
voz: Cristina Paiva
música: Kurt Briggs
sonoplastia: Fernando Ladeira
Autor
Gomes Leal
Balada do país que dói
O barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o corpo cai
o corpo dói
português vai
português cai
o barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o país cai
o país dói
o tempo vai
o tempo dói
português cai
português vai
português sai
português dói
ANA HATHERLY
Antologia da poesia experimental portuguesa
Anos 60 - Anos 80
Voz - Cristina Paiva
Música - Martinho d'Assunção
Sonoplastia - Fernando Ladeira
Autor
Ana Hatherly
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