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Esteiros (excerto)




Linda música – exclamou Gaitinhas. (...) Fazia-o esquecer a doença da mãe e os sapatos rotos. O cavalo galopava no espaço, através das estrelas, e ele levava um sorriso nos lábios (...)
Gineto fizera-se Tom Mix em pensamento e cravara esporas no cavalo, a que chamou Malacara. Dentes cerrados e o lenço ondulando ao vento, cingia nos braços a pálida Rosete, arrebatada aos bandidos. O cavalo saltava muros e esteiros, sem parar. E o Malesso, o Saguí e todos os companheiros do telhaI acenavam ao longe, muito ao longe ...
O carrossel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios do Gaitinhas.

SOEIRO PEREIRA GOMES
Obra Completa


voz: Cristina Paiva

música: Durutti Collumn

sonoplastia: Fernando Ladeira

Esteiros (excerto)



"Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro."

Esteiros. Minúsculos canais,
como dedos de mão espalmada,
abertos na margem do Tejo.
Dedos das mãos avaras dos telhais,
que roubam nateiro às águas
e vigores à malta. Mãos de lama,
que só o rio afaga.

SOEIRO PEREIRA GOMES
Obra Completa


voz - Cristina Paiva

música: Durutti Collumn

sonoplastia - Fernando Ladeira