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Epígrafe
Eu sou
só eu e os meus livros
e a minha música e as minhas ruas em cruz
e um mar sombrio e verde, longe-longe...
E mais nada.
JORGE DE SENA
Post-Scriptum II
2º volume
Co-edição Moraes Ed. e Imprensa-Nacional Casa da Moeda
voz - Cristina Paiva
música - Alvo Noto
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Sofia Pereira
Autor
Jorge de Sena,
pepQ
Com luz de sal
Com luz de sal se constrói
Linda Marta o teu sorrir
Saleiro de sol que rouba
O juizo a quem te vir
URBANO TAVARES RODRIGUES
Horas de Vidro
Ed. Dom Quixote
voz - Cristina Paiva
música - Paul Kalkbrenner
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Isabel Duarte
Autor
pepQ,
Urbano Tavares Rodrigues
Este ministro é um mentiroso
Este ministro é um mentiroso
que agonia quando ele discursa
e se fosse só isso: bale sem jeito
às meias horas seguidas – e não pára!
bem-aventurados os duros de ouvido
a quem o céu abrirá as portas
desliguem p.f. o microfone
ou então tirem o país da ficha
FERNANDO ASSIS PACHECO
Respiração Assistida
Ed. Assírio e Alvim
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Isabel Duarte
Autor
Fernando Assis Pacheco,
pepQ
Amor e outros crimes em vias de perdão
deito-me à sombra das tuas pernas
e o corpo arde em todos os movimentos
que não ousaste prolongar
na toalha branca da minha pele
deste lado a dor
é completamente minha
e por assim dizer inútil
era capaz de jurar
que nem me viste
ALICE VIEIRA
Dois corpos tombando na água
Ed. Dom Quixote
voz - Cristina Paiva
música - Penguin Cafe Orchestra
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Isabel Duarte
Autor
Alice Vieira,
pepQ
Natureza-Morta
A meia-noite deu-me as doze gotas,
O meu mal vai dormir:
Olham-me, vãs, as minhas botas,
Que eu a tão longe faço ir.
É murcha a roupa que componho,
Com minha forma, atrás da porta:
Espelho a que me envergonho!
Minha natureza morta!
VITORINO NEMÉSIO
Obras Completas
II Volume
Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda
voz - Cristina Paiva
música - Múm
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Autor
pepQ,
Vitorino Nemésio
Variação
Se sorrio, ris.
Se entristeço, choras.
Feliz, infeliz,
a vida melhoras.
Que vária se faz!
Infeliz, sorrio.
Feliz, chego às
lágrimas em fio.
ALBERTO DE SERPA,
A poesia de Alberto de Serpa
Ed. Nova Renascença
voz - Cristina Paiva
música - Shed
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Maria Almira Soares
Autor
Alberto de Serpa,
pepQ
Estribilhos
No interior da música
o silêncio
que regaço procura?
Que interior é esse
onde a luz
tem morada?
E há um interior,
assim como o caroço
dentro do fruto?
E como entrar nele?
É como num corpo?
EUGÉNIO DE ANDRADE
Poesia
Ed. Fundação Eugénio de Andrade
voz - Cristina Paiva
música - U2
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Autor
Eugénio de Andrade,
pepQ
Álbum – XIX
O menino ri na sombra
contente de ver os pés nus.
Ver?
Sim, ver.
Na treva.
Ainda confunde as palavras
com a luz.
JOSÉ GOMES FERREIRA
Poeta Militante, Vol. II
Moraes Ed.
voz - Cristina Paiva
música - Penguin Cafe Orchestra
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Isabel Teles de Menezes
Autor
José Gomes Ferreira,
pepQ
Não toques nos objectos imediatos
Não toques nos objectos imediatos.
A harmonia queima.
Por mais leve que seja um bule ou uma chávena,
são loucos todos os objectos.
Uma jarra com um crisântemo transparente
tem um tremor oculto.
É terrível no escuro.
Mesmo o seu nome, só a medo o podes dizer.
A boca fica em chaga.
HERBERTO HELDER
Poesia Toda
Ed. Assírio e Alvim
voz - Cristina Paiva
música - Gas
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Margarida Ramos
Autor
Herberto Helder,
pepQ
Circo do Mundo
E de repente
com Mozart
chegaram as estrelas.
Próximo tudo
neste circo do mundo.
Uma voz
acompanha
o eclipse do Sol.
E não há angústia:
aqui o universo
foi criado pelo homem.
ANTÓNIO OSÓRIO
Planetário e zoo dos homens
Ed. Presença
voz - Cristina Paiva
música - W. A. Mozart
Academy of Saint Martin-in-the-fields - dir. Sir Neville Marriner - soprano. Felicity Lott
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Isabel Teles de Menezes
Autor
António Osório,
pepQ
Poema da auto-estrada
Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta
Vai na brasa de lambreta.
Leva calções de pirata,
vermelho de alizarina,
modelando a coxa fina
de impaciente nervura.
Como guache lustroso,
amarelo de indantreno
blusinha de terileno
desfraldada na cintura.
Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.
Agarrada ao companheiro
na volúpia da escapada
pincha no banco traseiro
em cada volta da estrada.
Grita de medo fingido,
que o receio não é com ela,
mas por amor e cautela
abraça-o pela cintura.
Vai ditosa, e bem segura.
Como um rasgão na paisagem
corta a lambreta afiada,
engole as bermas da estrada
e a rumorosa folhagem.
Urrando, estremece a terra,
bramir de rinoceronte,
enfia pelo horizonte
como um punhal que se enterra.
Tudo foge à sua volta,
o céu, as nuvens, as casas,
e com os bramidos que solta
lembra um demónio com asas.
Na confusão dos sentidos
já nem percebe, Leonor,
se o que lhe chegou aos ouvidos
são ecos de amor perdidos
se os rugidos do motor.
Fuge, fuge, Leonoreta.
Vai na brasa, de lambreta.
ANTÓNIO GEDEÃO
Máquina de Fogo
Obra Poética
Ed. João Sá da Costa
voz - Cristina Paiva
música - Eternal basement
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Margarida Ramos
Autor
António Gedeão,
pepQ
Cabo da boa esperança
Nasci pra ser ignorante
Mas os parentes teimaram
(e dali não arrancaram)
em fazer de mim estudante.
Que remédio? Obedeci.
Há já três lustros que estudo.
Aprender, aprendi tudo,
mas tudo desaprendi.
Perdi o nome às Estrelas,
aos nosso rios e aos de fora.
Confundo fauna com flora.
Atrapalham-me as parcelas.
Mas passo dias inteiros
a ver um rio passar.
Com aves e ondas do Mar
tenho amores verdadeiros.
Rebrilha sempre uma Estrela
por sobre o meu parapeito;
pois não sou eu que me deito
sem ter falado com ela.
Conheço mais de mil flores.
Elas conhecem-me a mim.
Só não sei como em latim
as crismaram os doutores.
No entanto sou promovido,
mal haja lugar aberto,
a mestre: julgam-me esperto,
inteligente e sabido.
O pior é se um director
espreita pla fechadura:
lá se vai a licenciatura
se ouve as lições do doutor.
Lá se vai o ordenado
de tuta e meia por mês,
Lá fico eu de uma vez
um Poeta desempregado.
Se me não lograr o fado,
porém, com tais directores,
e de rios, aves e flores
somente for vigiado,
enquanto as aulas correrem
não sentirei calafrios,
que flores, aves e rios
ignorante é que me querem.
SEBASTIÃO DA GAMA
Cabo da Boa Esperança
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Autor
pepQ,
Sebastião da Gama
Actuação escrita
Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever
PEDRO OOM
A única real tradição viva
Antologia da poesia surrealista portuguesa
Assírio e Alvim
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Entardecer
Já não há perfumes de vida na taça do meu sexo
Se quisesses conhecer, agora, o meu sabor mais íntimo,
terias de beber, com os teus lábios,
a água das minhas lágrimas.
LUÍSA DACOSTA
A maresia e o sargaço dos dias
Ed. Asa
voz - Cristina Paiva
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Autor
Luísa Dacosta,
pepQ
Brincadeira
Ando a correr atrás do Outro,
como fazem
dois meninos brincando num jardim...
… até me achar de repente,
sem saber como, o Outro lá da frente,
que vai fugindo de mim.
SEBASTIÃO DA GAMA
Serra-Mãe
Ed. Arrábida
voz - Cristina Paiva
música - Radicalfashion
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Margarida Ramos
Autor
pepQ,
Sebastião da Gama
X. Green god
Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce.
Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.
Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.
E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.
EUGÉNIO DE ANDRADE
Poesia e prosa – 1º Volume, 3ª edição aumentada,
Círculo de Leitores
voz - Cristina Paiva
música - Eleni Karaindrou
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Isabel Teles de Menezes
Autor
Eugénio de Andrade,
pepQ
Do sangue
O sangue não carboniza os sons para que os aguarde -
As brasas na garganta
A voz não se funde mesmo sendo
O mineral que fere
Acrescento terra sucessiva sobre os lábios
Mas não encontro o sopro por onde de novo
O barro possa aspirar-me ao segredo
Do húmus. E necessito tanto
Do subsolo. Como se fora
O grão ou os sismos
DANIEL FARIA
Poesia
Ed. Quasi
voz - Cristina Paiva
música - Penguin Cafe Orchestra
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Sofia Pereira
Autor
Daniel Faria,
pepQ
Idílio de recomeço - XII
(O soneto que só errado ficou certo)
Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guias
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicação de luas e saliva.
JOSÉ GOMES FERREIRA
Poeta Militante, 2º Volume
Morais Editores
Círculo de Poesia
voz - Cristina Paiva
música - Brian Eno
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Sofia Pereira
Autor
José Gomes Ferreira,
pepQ
Poema inicial
Poder-me-ão entender todos aqueles
de quem o coração for a roldana
do poço que lhes desce na memória.
Se alguma coisa vi foi com o sangue.
De alguém a quem o sangue serviu de olhos poderá
falar quem o fizer de mim.
LUÍS MIGUEL NAVA
Poesia Completa 1979-1994
Ed. Dom Quixote
voz - Cristina Paiva
música - Benga & Coki
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Helena Ramos
Autor
Luís Miguel Nava,
pepQ
Rothko Brown And Grey Series, 2
O mar já não era para mim suficiente.
fazia-me falta um rio
um rio sob sombra das árvores.
É difícil a meio da música
suportar a luz do café.
Estávamos juntos
como vejo estar no palco
sob dois projectores.
Os olhos
as mãos
todo o corpo
era só o frio da noite.
JOÃO MIGUEL FERNANDES JORGE
O Roubador de Água
Ed. Assírio & Alvim
voz - Cristina Paiva
música - Maurizio Ravalico & Ollie Bown
sonoplastia - Fernando Ladeira
desvendado - Ana Isabel Duarte
Autor
João Miguel Fernandes Jorge,
pepQ
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