Poema a partir de José Mário Silva e Margarida Vale de Gato, a partir de Ruy Belo





Desmanchamos o tempo como se um sobressalto
nos atingisse o corpo e o metesse dentro de uma caixa.
Precisamos de ar,
de respirar no meio da gente,
subir aos degraus com os pássaros,
gritar para o asfalto,
para que acordem as crianças e os velhos,
dizendo que está aí a luz do Verão,
os dias abertos para as encostas e para os rios.
Estamos aqui dentro de uma aldeia
pintada de xisto e de oliveiras,
ouvindo a água que corre das cascatas para os vales
longe das cidades, mas no coração das casas,
como um peixe que voa por cima de um país.


JAIME ROCHA
É absolutamente certo nº6, Abril 2013
(Jornal da Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão)



voz - Cristina Paiva

música - Joachim Holbek

sonoplastia e fotografia - Fernando Ladeira

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